Como Vim Parar Aqui?
Acordei com o cheiro forte de desinfetante e repolho cozido, sentada na beira de uma cama dura, vestindo o mesmo roupão puído que usava para tomar café na janela da minha antiga casa. Meu nome é Maria das Dores, e nunca imaginei que o fim da minha vida seria assim: sozinha, num asilo público de periferia, cercada por estranhos e lembranças que doem mais do que qualquer doença. Entre conversas abafadas e olhares perdidos, tento entender onde tudo deu errado e se algum dia terei coragem de perdoar minha família.